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“Somos o gin que muda de cor mais antigo do mercado” – António Cuco

Sharish Gin 17 Março 2020

De Monsaraz, no Alentejo, para 30 países espalhados um pouco por todo o mundo, vai uma grande distância. Mas o gin Sharish, apesar da sua juventude (foi criado em 2013), é mais exportado do que consumido em Portugal. Em pleno Bar Convent Berlin,  António Cuco, o produtor deste gin, explicou ao Bartwist como faz para conquistar resultados. 

Desde quando é que existe um gin Sharish que muda de cor?
Nós somos o gin que muda de cor mais antigo do mercado, dentro daqueles que utilizam a planta Clitoria Ternatea. Fomos os primeiros, começámos em abril de 2015. É um produto que já está maduro e que temos em muitos países. 

Bartwist - Entrevista António Cuco - Sharish Gin

Há quanto tempo é que participam no Bar Convent Berlin?
Nós já fazemos a feira desde 2015. Para nós é um trabalho de fundo, muito vocacionado, quer para o mercado alemão, quer para outros mercados de exportação. Aproveitamos o facto de estarmos ao lado da Suíça, Bélgica, Holanda, França.

Tem que se estar aqui, portanto…
É, este ano até notámos um bocadinho menos de internacionais, apesar de estarem muitos à mesma, mas no ano passado foi um exagero. Para nós é importante, quer para os contactos com distribuidores, quer para os contactos com barmen. Já vamos tendo muitos barmen que conhecem a marca e vêm aqui. Especialmente, ingleses. Clientes ingleses também.

Fecham-se negócios aqui? 
Em nenhuma feira se fecham negócios. 

Estamos a falar de um investimento considerável…
Só a participação na feira facilmente ultrapassa os 20 mil euros num stand como o nosso.

É a vossa participação mais cara em todo o ano?
Sim, nós fazemos algumas feiras e esta é, de longe, a mais cara. Também é a maior, entenda-se. 

E o retorno que uma feira destas dá supera claramente o investimento?|
Se a ideia é vir cá um ano e não vir mais, não vale a pena vir. 

É preciso insistir?
Para nós, vale a pena. Comparando com os nossos colegas portugueses – não gosto da palavra concorrentes – os nossos colegas portugueses que também fazem gin, dificilmente há muitas mais empresas que conseguem ter capacidade para estar aqui. A maioria das marcas de gin gasta muito menos, por ano, em marketing e publicidade, do que nós gastamos aqui. Tem muito a ver com o tipo de projeto que se tem. Em Portugal, neste momento, há muitos projetos regionais e locais. 

Há poucos projetos de âmbito nacional e, projetos pensados para o exterior, há menos ainda do que os de âmbito nacional. Nós vendemos mais em exportação do que em Portugal. Temos um projeto virado para o exterior, com um produto inovador, diferente, com bom posicionamento, com plano de negócios, plano de marketing. Isso são tudo coisas que, por norma, em Portugal não se faz. Há raras exceções, mas por norma não se faz. Pensa-se muito “na minha rua, na minha terra, na minha região”. São projetos diferentes [do nosso], mas cada um tem o seu espaço. 

Uma pegada de dimensão internacional

Que percentagem da produção é que vendem em Portugal?
Nós vendemos apenas 40% em Portugal.

Mas há algum mercado de exportação que supere Portugal?
Temos um que é praticamente igual. No Reino Unido vendemos praticamente tanto como em Portugal. 

Em que outros mercados se vende gin Sharish?
Nós estamos em 30 países. Desde os europeus praticamente todos – Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Dinamarca, Itália, Chipre, República Checa, estamos numa série de países. Temos alguns países africanos, estamos nos PALOP todos, estamos no Dubai, Hong Kong, Singapura, Macau, Austrália, Estado Unidos da América. Ou seja, temos uma pegada já um bocadinho significativa. 

Nem sempre com o tipo de distribuidor que nós pretendíamos – costumo dizer que os distribuidores são como as namoradas – os bons estão todos apanhados. É um trabalho de fundo. Hoje, por exemplo, tivemos aqui um contacto de um distribuidor para a Costa Rica, um mercado em que nós nem sequer pensávamos e, às vezes, aparecem surpresas engraçadas.

Que balanço é que faz deste Bar Convent Berlin?
Os balanços fazem-se daqui a seis meses. A feira sabemos se resulta ou não daqui a seis meses. No ano passado resultou, há dois anos também resultou, este ano também temos todas as indicações de que vai resultar. Isto significa angariar distribuidores e encomendas. O acessório é incutir notoriedade ao barman. 

Mas essa parte também não é importante?
Nós temos uma estratégia um bocadinho diferente. O nosso objetivo nunca é que o barman queira recomendar. O nosso objetivo é que o consumidor final queira comprar. Isso é uma decisão muito mais sustentável. Porque se nós estamos a pagar listing fees para estar nos sítios isso garante-nos vendas zero. A única coisa que a gente tem garantida é que o dinheiro e o produto saem. Agora que as vendas ocorrem, não. É um trabalho mais complicado, é mais lento, mas é mais sólido. Vender é fácil; vender outra vez é que é difícil.