Bartwist

“Qualquer rum que proves na ilha vai ter um pouco de sol nele” – Ludovic Ceffué, Rhumerie de Chamarel

Sales Executive 13 Janeiro 2020

As Ilhas Maurícias são um país pequeno, com apenas 1,2 milhões de habitantes. Mas o tamanho não impediu de ter sido o país convidado do Bar Convent Berlin (BCB), devido à produção local de rum. O Bartwist falou com Ludovic Ceffué, Sales Executive da Rhumerie de Chamarel. Uma conversa pródiga em ensinamentos sobre o rum que produzem e sobre as Ilhas. 

As Ilhas Maurícias são o país convidado do Bar Convent Berlin. Como se sente com esta distinção?
Acho que é óptimo. Temos trabalhado bastante para isso, eu pessoalmente, tenho vindo ao BCB nos últimos anos, junto com outros colegas. Queríamos muito estar aqui, nesta grande “família” para mostrar os nossos runs, a nossa identidade, como fazemos nas Ilhas Maurícias. Acho que é uma grande exposição e agradeço à equipa do BCB e a todos por nos terem recebido. 

O que é que o rum das Ilhas Maurícias tem de diferente dos outros? 
Somos muito jovens a fazer rum, apesar de termos uma longa história neste setor. As Ilhas Maurícias produzem cana-de-açúcar há 300 anos e, quando começámos a produzir rum, não tínhamos runs premium. Agora, estamos a aprender com os outros, com todos os que já dominam a arte de fazer bons runs. E isso dá-nos muito mais confiança nos nossos produtos e na forma como estamos a trabalhar, o que pode ser testemunhado nas seis destilarias que temos na ilha. 

Em que é que o vosso estilo peculiar se torna diferente dos outros runs?
Nós usamos todas estas técnicas também, mas como ainda somos jovens (somos como crianças nesta arte), brincamos com os barris, brincamos com sabores diferentes, com envelhecimentos diferentes e misturamos tudo para conseguir a nossa própria identidade. É isso que tem tanta piada e é isso que é tão bom nas Ilhas Maurícias.

Qual o vosso melhor mercado, fora das Ilhas Maurícias?
Somos muito jovens na exportação e o melhor mercado será o francês. As Ilhas Maurícias são um país muito turístico, temos cerca de 1,5 milhões de turistas que vêm à nossa ilha e temos apenas 1,2 milhões de habitantes. Esses turistas vêm principalmente de França e da Alemanha – e, obviamente, os nossos maiores mercados são esses. Quando chegam à ilha, provam o rum, adoram e, quando voltam para casa, querem um pouco, porque a garrafa (ou as duas garrafas) que tinham na bagagem não é suficiente. Quando termina, precisam de a comprar nos seus países.

Sendo a França um país de conhaques, por que é que eles adoram o rum mauriciano?
O rum traz-lhes memórias. Os franceses, como se sabe, são muito conservadores, nunca dirão que outro vinho será melhor do que o vinho deles, mesmo se for muito melhor. Eles vão sorrir pelo canto da boca e vão dizer que está tudo bem. Dizerem que “está bem” significa que é muito bom. A mesma coisa com o rum. Nós fazemos rum bom – tão bom quanto as bebidas deles – e eles vão dizer que “está bom”. Nós sabemos que eles querem dizer que é muito bom e vamos continuar assim. 

Como descreve as Ilhas Maurícias?
Para mim, as Ilhas Maurícias são como um cocktail maravilhoso. Uma mistura de todas as diferentes origens que estão numa pequena ilha. É como um copo. Fomos influenciados pelos africanos, porque havia escravos trazidos para as ilhas, fomos colonizados pelos holandeses, pelos ingleses, pelos franceses. Fomos influenciados pelos asiáticos, pelos indianos e foi sempre pacífico, porque tudo aconteceu espaçadamente.  

Podes dizer-nos por que devemos experimentar o vosso rum?  
Beber rum das Ilhas Maurícias dá-te um grande sorriso! Se beberes rum, vais ter um grande sorriso o dia todo. Vais ser feliz, vais ter o sol das ilhas. O rum é feito para ser desfrutado e destinado a ser partilhado, essa é a definição de te divertires com o rum. Qualquer rum que proves na ilha vai ter um pouco de sol nele. 

Qual é o seu cocktail favorito?
Depende da hora do dia que o vou beber e do tipo de comida. Também depende da companhia, se estou numa festa ou em minha casa. Acho que também vai depender de como me quero sentir depois de beber, se quero estar a rebolar como uma garrafa ou se só quero sentar e sentir-me relaxado. Mas o meu cocktail favorito é um Old Fashioned. Um Old Fashioned à base de rum é o que mais gosto porque me dá tempo para sentar, pensar no assunto e simplesmente viajar, voltar para a minha ilha, a minha ilha ensolarada.

Alguma marca mauriciana vende em Portugal?
Pelo que sei, não, mas não tenho a certeza. Tenho um colega que faz o seu próprio engarrafamento e vende um pouco em Espanha, mas não em Portugal. O meu melhor amigo é francês e mora em Portugal, mas ele conta-me que em Portugal se produzem runs muito bons, na Madeira. Eu provei o rum e é muito bom, mas os runs mauricianos ainda não bateram à porta.