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“O que o cliente pede é que é o perfect serve…” – Ivan Lopes

Brand Ambassador Disaronno 13 Novembro 2019

Ivan Lopes já fez outras coisas na vida, mas há 12 anos ficou irremediavelmente apaixonado pelo mundo dos bares e dos cocktails. Uma dedicação premiada com o cargo de brand ambassador das marcas Disaronno e Tia Maria. Falámos com ele para percebermos por que é que estas bebidas são tão famosas e outras opiniões sobre o universo das bebidas espirituosas e dos seus profissionais. 

O que faz o brand ambassador do Disaronno e do Tia Maria? 
Como brand ambassador, a nossa profissão é exatamente saber como é que a marca está, onde é que está posicionada, se está como a marca gosta que esteja posicionada. Perceber o que é que os bartenders estão a trabalhar, como é que o estão a trabalhar e se precisam da nossa ajuda para desenvolver a marca, para dar formação. Esta é a posição de brand ambassador em Portugal.

Há quanto tempo é que se dedica a esta área?
Há 12 anos. Antes, fui formador durante muitos anos na área da comunicação, visto que estudei Jornalismo na Faculdade de Letras, em Coimbra. Foi o meu segundo curso; estive em Design, primeiro. Foram ambos importantes para a minha atividade, uma vez que a parte estética e a parte comunicacional são fundamentais nesta área. 

E como surgiu a paixão por esta área?
Foi um bocado por acaso. Um amigo meu convidou-me para abrir um espaço em Coimbra. Abri um bar em Coimbra, chamado Feito Conceito e a partir daí começou o gosto. Pensei: gosto disto, vou-me profissionalizar e fui tirar Gestão Hoteleira. Começou aí a carreira e aqui estou eu. 

Como é que surgiu esta ligação a Disaronno e Tia Maria?
Fui convidado para chefiar um bar em Coimbra, que é a Tasca de Santana e aí tentei pôr o meu nome e o da casa no mercado. A forma que arranjei de fazer isso, uma vez que era de Coimbra, e era completamente fora do mainstream, de Lisboa, Porto, Algarve, foi concorrendo, fazendo concursos. Fui finalista do Barman do Ano, finalista do World Class Portugal e isso trouxe algum nome. Depois fui convidado pela Empor Spirits, que também representa o Tia Maria e o Disaronno. É um desafio completamente diferente. Faz-se bar, mas de uma forma muito mais próxima e eu gosto disso. 

Onde é que se posiciona o Disaronno?
Tanto o Disaronno como o Tia Maria são licores de bastante qualidade. São licores premium e o objetivo deles é posicionarem-se – e têm conseguido muito – no segmento premium e super premium. Nós trabalhamos muito com bartenders de coquetelaria. O Disaronno Sour é um clássico que toda a gente bebe e conhece. O Disaronno é feito com a amêndoa amarga do alperce e com baunilha – são estes sabores que o Disaronno tem. O Tia Maria é um licor de café, uma receita da Jamaica; a base é um rum jamaicano. É muito conhecido por um cocktail clássico que se faz com este licor, que é o Espresso Martini – licor de café, vodka e café. É um clássico. Tanto o licor de café como o Disaronno, que é um amaretto, o original, têm cocktails clássicos. Ou seja, vai-se à listagem do IBA – International Bartenders Association – e estão lá, com vários cocktails clássicos. 

Para quem não conhece o Disaronno, qual é a melhor forma de lhes explicar do que se trata?
O Disaronno é um licor que não é muito doce porque, para além de usar açúcares de beterraba, usa açúcares muito pouco doces. Tem a vantagem de ser um licor amargo e [por isso] tanto agrada a um público masculino como feminino. O interessante deste licor é exatamente isso, não é uma bebida doce. Ou melhor, é uma bebida doce, mas amarga. Então é muito interessante. As pessoas podem beber neat, só com gelo, com um bocadinho de sumo de limão…

Qual é que é o pefect serve?
Neste momento, em Portugal, estamos a comunicar o serve Disaronno Sour. Mas o perfect serve é como o cliente quiser. Para mim, o que o cliente pede é que é o perfect serve. O que estamos a comunicar é o Disaronno Sour, porque é muito fresco, é uma bebida não muito doce e acho que é uma bebida muito agradável por exemplo para rooftops, esplanadas… 

Trabalha o Disaronno há quanto tempo?
Há poucos meses.  

Uma ligação muito recente, portanto…
Eu tive muito tempo no bar e também é importante a ligação que os brand ambassadors têm aos bartenders; uma ligação estreita para desenvolvimento e processo de trabalho. 

Qual é a posição do Disaronno no mercado português?
Não tenho dados concretos. Já começa a ser algo conhecido e o objetivo de eu estar nesta posição é torná-lo mais conhecido. 

Quando ainda não trabalhava com o Disaronno qual era o cocktail que mais gostava de fazer? Eu sou muito fã da margarita, um super clássico. 

Nas novas gerações de bartenders falta um bocado de formação clássica ou não?
Isso é um bocado difícil de responder. Ainda há pouco tempo tive essa discussão com vários colegas por causa do bartender que faz escola de hotelaria e o bartender que não faz escola de hotelaria. Tem muito a ver com o querer. Eu fiz escola de hotelaria, sou bartender de escola de hotelaria, fiz esse processo todo, mas há quem não tenha feito e seja tão competente como quem fez escola. Eu acho que o mais importante é querer e, querendo, uma pessoa consegue desenvolver as competências. Hoje em dia estamos a um click de tudo. Há imensa formação hoje em dia.  Em Portugal, há imensas escolas. Black Pepper and Basil, em Lisboa; no Algarve, o Cocktail Project, do Luca Ciaponni… há várias escolas de formação. É só a pessoa querer. 

O que é que nos falta para estarmos representados com alguma expressão na lista de melhores bares do mundo?
Acho que nos falta tamanho. 

O resto já existe?
Nós temos uma cultura de cocktail brilhante em Portugal, trabalha-se muito a sério. Mas eu acho que o país é muito pequeno. E cada vez mais se vê uma tendência ibérica em tudo. Eu, no  ano passado, fui finalista do World Class e fui finalista do World Class Ibérico. Fiz uma prova em Portugal e a final já tive que ir a Madrid. O que também não é mau porque já começamos a ter um bocadinho mais de força.

Qual é o utensílio de trabalho que não dispensa?
Isso é difícil de escolher, mas eu acho que é a simpatia. 

Qual vai ser a nova tendência a seguir ao gin?
Cocktails com pouco álcool, spritz… as pessoas cada vez mais adoram spritz e coisas frescas, os mocktails, cocktails com pouco açúcar. 

O que sugere para quem quer um mocktail?
Há cocktails com sumos incríveis. Nós temos um, de pipoca, em que utilizamos leite e um pouco de licor de café, tem um teor alcoólico muito baixo e a Tia Maria faz muito também o Coffee Cocktail e trabalha muito isso e a Disaronno o sour. O objetivo aqui é também procurar bebidas que sejam agradáveis e que não sejam muito alcoólicas. E nós temos o Pop Corn, que nós juntamos leite sem lactose; temos essa preocupação, é um xarope de pipoca, um bocadinho de licor de café e temos um cocktail super fresco com pouco álcool e muito agradável. 


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