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“O Lisbon Bar Show está no Top-5 mundial” – Alberto Pires

Organizador Lisbon Bar Show Entrevista

Alberto Pires é um dos organizadores do Lisbon Bar Show, que chegou este ano à sexta edição. É barman há cerca de 20 anos e é assim que gosta de ser conhecido. Em entrevista ao Bartwist, falou do passado, presente e futuro do evento.

Como descreve a evolução do Lisbon Bar Show?
Os números são simples. No primeiro ano, tentei fazer o projeto para durar um dia e fiquei muito feliz por ter juntado 1500 pessoas no primeiro ano. Era no Instituto Superior de Agronomia e nem sequer enchia o edifício. Comecei a produzir o evento e, quando já estava perto da concretização, já havia material para dois dias. Mas não se pode mudar as regras a meio. Tinha começado para um dia, era para um dia. Agora estamos com cerca de 4 mil m2 de exposição, masterclasses de nível mundial e mais de 6 mil pessoas a visitar o evento.

Em termos de posicionamento internacional, como podemos enquadrar o Lisbon Bar Show?Esta feira podia estar a acontecer em Nova Iorque, Londres ou noutro país qualquer. É de nível mundial, tanto a nível de oradores como em tudo o resto. Não envergonhava ninguém ser numa dessas capitais mundiais. A nível de dimensão eu acho que está no Top 5 mundial.

Falou em mais de seis mil visitantes. Qual é a repartição entre portugueses e estrangeiros?
Nós estamos aqui no cantinho da Europa. Eu não posso dizer que vêm mil pessoas [de fora] à feira. Não vem, nem nada que se pareça. Mas já vêm umas centenas. Posso dizer que me deixa muito mais feliz do que virem estrangeiros, se calhar termos 40 barmen portugueses que vêm do país onde estão a trabalhar no estrangeiro propositadamente cá, ver a feira que é feita no país deles.

Nesta altura, o evento está na posição que ambicionou ou ainda quer chegar mais longe?
Não há muita capacidade para crescer mais em Portugal, só melhorar. Dizer números melhores, maiores… já quase toda a gente está a expor em Portugal. Eu tenho mais de 10 expositores que nem sequer vendem em Portugal e vieram cá de propósito dar a provar os produtos deles cá em Portugal, quando nem sequer distribuem cá. Vieram cá com o intuito de mostrar o produto e arranjar um importador. Estão no sítio certo para isso.

Alberto Pires em entrevista ao Bartwist. Fotografia: Direitos Reservados.

Há alguém que gostaria de ver aqui e ainda não está?
Eu não vou ter a arrogância de dizer que já cá estiveram os gurus todos de nível mundial. Não vieram todos ainda, até porque tecnicamente ainda não houve espaço para todos eles, mas já cá esteve mesmo muita gente.

Podemos falar do investimento que um evento destes implica? Inteiramente privado, imaginamos…
Este projeto é inteiramente privado. Nós não temos patrocinadores, temos parceiros, temos pessoas que fazem parcerias connosco e temos expositores que nos compram espaços. Não temos nenhum apoio, nenhum patrocínio de nada.

DEZENAS DE JÚRIS DO THE WORLD’S 50 BEST BARS EM LISBOA

O que é que nos falta para os bares portugueses se tornarem habituais na lista de 50 melhores bares do mundo?
Eu voto há cerca de cinco/seis anos, sou um dos votantes – só existem dois em Portugal – são cerca de 400 espalhados pelo mundo, e já vou para aí há seis anos à cerimónia, que é sempre em outubro, em Londres. Encheu-me de orgulho, na penúltima edição, ter um bar português nos 100 melhores do mundo e penso que estamos no bom caminho. Mas, para terem uma ideia, Espanha, que está muito à frente de nós em cocktails, chega a ter anos que está completamente arredada, tem um, dois, qualquer coisa por aí.

Então o que é que nos falta?
Para já, falta-nos essas 400 pessoas que votam passarem por cá. Uma das regras é a pessoa ver o bar. Se a pessoa não vem ao bar… Imaginem, o Lisbon Bar Show traz cá 50 gurus do assunto. Todos eles votam. Se não existisse Lisbon Bar Show provavelmente eles nem sequer vinham a Lisboa.

Vem cá 50 votantes?
Cerca disso, nos dois dias. Ou melhor – mais – são cerca de 80 votantes. Estes são os dois dias do ano em que estão cá pessoas a ver bares. Por outro lado, temos o reverso da medalha. É o mesmo que ter um restaurante e depois querer mostrar o restaurante a um júri, no Dia da Mãe, no Dia dos Namorados, quando está overbook, saturado, cheio de gente. Não é o melhor dia para dar o exemplo.

Não tem portanto a ver com a falta de nível dos nossos bares?
Já temos alguns…

Quantos?
Meia dúzia.

Só em Lisboa?
Não. Eu, infelizmente, não tenho andado muito por aí, não tenho conhecido muitos – os mais recentes, claro – mas ainda há poucos dias estive no Porto e não se pode falar só de bares de Lisboa. Eu não sou propriamente a pessoa que diz que Lisboa é Portugal.

Então e qual será o futuro do Lisbon Bar Show?
Continuar a fazer mais e melhor. Não vou naqueles números de crescimento. Se me disserem: “este ano tivemos menos números do que no ano passado”. Oh, que chatice, estagnámos. Não creio nem um bocadinho.

Lisbon Bar Show deixa Convento do Beato

Vai manterse no Convento do Beato?
Para o ano não é possível, este local não está disponível para o ano porque está em obras. Tivemos um ciclo de três anos na Agronomia, um ciclo de três anos aqui. Para o ano ainda não sabemos dizer onde. Nem o país convidado, nem onde, mas será sempre em Lisboa.

Mas já tem algumas perspetivas?
Não posso. Não é uma questão de não querer, não sei mesmo dizer, preto no branco, qual é o sítio.

Para fechar esta conversa, que tipo de conteúdos é que gostaria de ver numa publicação dedicada à sua área?
Eu costumo dizer que a Internet tem o reverso da medalha hoje em dia. Qualquer pessoa publica lá qualquer patetice. Portanto, obviamente, ter conteúdos sérios. Podem ser coisas banais, podem ser detalhes de bebidas ou podem ser coisas extremamente importantes. Normalmente, nós gostamos de ver o que é que se passa around the world, além de Portugal.