Bartwist

“O mais importante é a nossa postura” – João Pacheco

06 Junho 2019 Redação

Ver malabarismos num bar, com garrafas, copos ou utensílios de bartender ficou de tal forma associado ao cinema que chegamos a pensar que é coisa de filmes. Mas a realidade não é bem assim… Pode encontrar estas habilidades num bar perto de si, desde que o bartender seja praticante de flair. É o caso de João Pacheco, 40 anos de idade, e chefe de bar no Hotel Marriot Praia Del Rey, em Peniche.

O flair é o hobby de João Pacheco e pratica-o também em trabalho, nomeadamente eventos ou em tudo que tenha a ver com bar, concursos ou competições. Além disso, dá formação de flair na Escola de Hotelaria de Torres Vedras.

“O flair é o entretenimento que nós, bartenders, criamos atrás de um balcão para os clientes. Ou seja, é uma arte de atirar garrafas ao ar, copos, guardanapos, tudo o que é utensílios de bar, utilizando a técnica de freestyle”, descreve, em declarações ao Bartwist.

João Pacheco no Lisbon Bar Show. Fotografia: Direitos Reservados.

Tudo começou com o filme Cocktail, de 1988, com Tom Cruise como estrela principal. “A partir do filme Cocktail eu comecei também a mandar garrafas ao ar e depois foi mais um amigo que também queria fazer e outro e outro e íamos brincando, na altura da Escola de Hotelaria”, recorda João Pacheco, que se profissionalizou no ano 2000, ao tirar o curso Cocktail Academy.

“A partir daí comecei a treinar, a trabalhar em bares preparados para o flair e foi uma questão de treinar muito, competir.” O que lhe trouxe várias alegrias: “Fui campeão nacional de flair quatro vezes – em 2006, 2008, 2009 e 2014 – e já representei Portugal no Mundial algumas vezes”, enumera, enquanto atira uma garrafa ao ar, com naturalidade, e a recupera com destreza e mão segura.  

“Não interessa um sorriso muito bonito, mandar umas garrafas ao ar e a bebida sair uma desgraça

– João Pacheco

João Pacheco tem noção de que o flair é cativante para o cliente, mas não chega. “Para mandarmos garrafas ao ar temos de saber fazer boas bebidas; não interessa um sorriso muito bonito, mandar umas garrafas ao ar e a bebida sair uma desgraça”, sublinha. “Nós treinamos medidas, treinamos cocktails e, quando mandamos garrafas ao ar, nós sabemos como pará-las, como fazer as medidas, como pôr só um centilitro, como pôr cinco, as medidas que forem necessárias.”

João Pacheco no Lisbon Bar Show. Fotografia: Direitos Reservados.

Apenas “juntando tudo”, como refere, é que se consegue proporcionar um atendimento “mais agradável para o cliente”. E tudo isto sem esquecer uma outra faceta que João Pacheco considera imprescindível:  “O mais importante para mim é a nossa postura, o nosso sorriso, a nossa apresentação. Se eu estiver mal disposto, o cliente chega desse lado e a bebida até pode ser a melhor do mundo, mas se eu não conseguir ganhar aquela empatia, está estragado o resto da noite”, avisa.

Long Island Iced Tea, o preferido

O cocktail preferido de João Pacheco é o Long Island Iced Tea. “Porque é um dos cocktails mais refrescantes que eu conheço e dos primeiros que aprendi também.” O especialista em flair coloca-lhe vodka, gin, triple sec, limão, açúcar e um top de Coca-Cola. “É um cocktail refrescante, dá para beber a qualquer hora do dia, é um clássico dos clássicos de que gosto muito porque é um drink, leva muitas bebidas mas não é muito alcoólico e torna-se muito agradável.”

Entre a panóplia de utensílios de trabalho, João Pacheco nunca dispensa o shaker, mais concretamente o Boston Shaker. “Nunca pode faltar”, composto por um copo de vidro e um copo de metal que encaixam um no outro e se soltam com a pancada certa.